Eu e você, astronautas


É natural, devido aos compromissos da nossa rotina, aceitarmos como eternos os paradigmas do tempo que vivemos. Nascemos e crescemos em um determinado trecho da história humana, e esse contexto tem uma forte influência em nós. E isso não se aplica somente para ideias, crenças e filosofias, mas também para o mundo material à nossa volta.

Pense em algo bem banal: um semáforo de trânsito. Vemos esse artefato todos os dias, de tal modo que não é algo para o qual dedicamos muitos esforços cognitivos. Mas agora imagine uma pessoa do século XV olhando para um semáforo, ou alguém do Império Persa ou da China Antiga. O que pode passar na cabeça dessa pessoa? Admiração, curiosidade, confusão, medo, fascínio? Provavelmente tudo isso e muito mais.

Acredito que é esse poder de observação é pouco estimulado em nós hoje em dia. Essa capacidade de observar as coisas ao nosso redor, mesmo as mais comuns, e refletir sobre suas existências e seus papéis na sociedade. Um semáforo parece algo ordinário e sem graça, mas já pensou na cadeia de produção que é necessária para construí-lo? E no planejamento dos engenheiros de trânsito para colocá-lo aonde ele se encontra? Ou no caminho que a eletricidade percorre até alcançá-lo e fazê-lo funcionar? Ou mesmo na importância que esse semáforo tem para o funcionamento da cidade?

É isso que a Nave quer estimular. Queremos que as pessoas mudem suas maneiras de olhar, experimentando novas abordagens perante o mundo. Queremos que as pessoas reflitam, e que essas reflexões se manifestem em mudanças em seu comportamento. Queremos fomentar esse espírito explorador e curioso que está presente dentro de todos nós. É isso que chamamos de perspectiva cósmica.

Somos todos astronautas, viajando através do universo em nossa nave-mãe, o planeta Terra. Nessa jornada, uma das atividades mais dignas que o ser humano pode empreender, é o explorar. Explore sua nave.

E aproveite a jornada.

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Imagem: Scott Listfield - Instagram @scottlistfield